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Alô, alô! Planeta terra chamando!




Não dá para precisar o momento exato que ela nasceu, mas com certeza, essa minha paixão pelas histórias foi herdada. Minha mãe sempre leu muito. De bula de remédio aos clássicos da literatura. Não, ela não é professora, mas a dona Eva também foi arrebatada bem cedinho pelas palavras. Assim, embalada pela voz da minha mãe, traça de biblioteca e minha personal contadora de histórias, eu fechava os olhos à noite e embarcava no mundo da lua.


De dois livros, recordo-me com um carinho muito especial: Pollyana menina e Meu pé de laranja lima. Lembro-me da voz embargada da minha mãe em alguns capítulos, das lágrimas atrevidas que insistiam em escorrer pelas suas bochechas. Ah, Zezé e velho Portuga! Como eu queria ter um pé de laranja lima para cavalgar por esse mundão de meu Deus! Às vezes, eu e meus irmãos dormíamos logo, mas tantas outras, minha pequena Eva cochilou antes de nós...


O que eu achava do jogo do contente? Aquilo deu um nó na minha cabecinha... Tanto, que quando aprendi a ler: li, reli e reli. Inclusive, presenteio amigos com o livro até hoje. Pollyana menina não é autoajuda, mas sacudiu a minha alma. Por quê? “O jogo do contente” pode soar besta para alguns, mas a vida se encarregou de colocar um bom bocado de “Pollyanas (os)” no meu caminho. Não é fácil jogar, mas descomplica a vida...


Alô, alô! Era o planeta terra me chamando... Histórias de superação incríveis e reais. Vidas que se somaram à minha e ao meu desejo de viajar pelo mundo – o real e o da imaginação. Sim, a minha imaginação voa. Os meus pés? No chão. Entre inúmeras páginas e coexistências, compreendi que poderia degustar a vida e os livros ou os livros e a vida. Tanto faz!


Esta não é mais uma edição do diário de bordo de Lucas Silva e Silva, falando diretamente do Mundo da Lua, onde tudo pode acontecer… É apenas um relato doce de leite, de uma mineirinha que foi apresentada aos livros ainda no ventre. Uma moleca grande que ama os livros (os infantis, de modo especial), o olhar abelhudo dos pequerruchos e a força transformadora das palavras. E, pode acreditar, o prazer foi e é todo meu!


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