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Glórias às mulheres negras!

Atualizado: 15 de out. de 2021



Ler cordéis com tanta paixão e interesse é algo inédito para mim. Preciso confessar, mais uma vez, que em 2021 me desafiei a ler mais poesias. Minha relação com os poemas sempre foi mais casual e bem espaçada. Então, sair da zona de conforto me levou a uma grata e potente surpresa: “Heroínas Brasileiras em 15 Cordéis”, da cordelista e poeta cearense Jarid Arraes.


Foram 173 páginas de muita poesia, informação, história do Brasil, empoderamento feminino, leituras e releituras. Conscientização e versos arrebatadores do início ao fim.


Sim, eu já tive contato antes com o cordel, na escola e em feiras de livros, mas Jarid me despertou para um novo horizonte. Qual? O cenário das heroínas reais. Heroínas brasileiras. Heroínas negras. Quinze mulheres que viveram em épocas distintas, mas que lutaram pelo mesmo ideal: liberdade e dignidade para todos.


“Que a partir desse momento

Nossa história vá gravada

Tendo o reconhecimento

Pela batalha travada

Pois só assim que teremos

Nossa alma bem lavada”

(Jarid Arraes)


Por meio dessa poesia popular, com uma pesquisa histórica impecável, essa jovem escritora do Ceará me fez sentir muito orgulho de ser brasileira. É um direito nosso conhecer esse legado de líderes femininas que fizeram história de norte a sul do País. Algumas nascidas no Brasil, outras na África: princesas, mercadoras, guerreiras, estrategistas, escritoras, professoras, políticas, mães, esposas, filhas, irmãs, mulheres escravizadas…


O que você pode encontrar nessa leitura? O resgate da memória de mulheres brasileiras que lutaram pela liberdade e por direitos. Reinvindicações, batalhas pessoais e coletivas. O levantar de vozes femininas contra as injustiças sociais e a opressão física e intelectual. Os versos de Jarid me fizeram sonhar com estas histórias nas telonas e telinhas. Filmes, séries, documentários… Já imaginou a potência e o impacto dessas histórias para as próximas gerações?


Quem são elas? Antonieta de Barros, Aqualtune, Carolina Maria de Jesus, Dandara, Esperança Garcia, Eva Maria do Bonsucesso, Laudelina de Campos, Luísa Mahin, Maria Felipa, Maria Firmina, Mariana Crioula, Na Agontimé, Tereza de Benguela, Tia Ciata, Zacimba Gaba.


Hoje entendo que elas foram apagadas dos nossos livros escolares com o claro objetivo de retirar a simbologia e a representatividade dessas mulheres.


De princesas africanas escravizadas à primeira mulher negra a ter um romance, um livro abolicionista, publicado no Brasil. Todas elas são heroínas que precisam ser conhecidas e reconhecidas por nós. Por isso, em respeito a essas 15 heroínas negras brasileiras, ao belo trabalho da Jarid Arraes, faço questão de espalhá-las e celebrá-las aqui com você. Cabe a você se permitir conhecê-las. Acho que você também pode se surpreender e se emocionar com essa leitura.


Axé!


“A lição é que entregar-se Nunca é uma opção Só lutar que muda a vida Batalhando em união Com o firme objetivo De alcançar a transformação.” (Jarid Arraes – poema Mariana Crioula)


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